06. a viagem (alemanha e dinamarca)

às 10h da manhã, mais coisa menos coisa, e depois de nos despedirmo-nos das pessoas mais fantásticas do mundo, que nos ajudaram imenso e até nos oferecer contactos na dinamarca para conseguirmos um local para ficar até termos encontrado uma casa. Lá nos metemos ao caminho atestando de gasóleo na Shell (1.030 ?/l) à saída de casa, e metemo-nos na auto-estrada.
Rápidamente chegamos à fronteira com a Alemanha e aqui, nã existe limite de velocidade em qualquer autoestrada, apenas um sinal de informacão com 130. De todos os países que passamos até aqui, este é sem dúvida alguma o que tem melhor parque automóvel, Mercedes, Audis e BMW’s são às dezenas, mas todos respeitam a via da direita, assim que ultrepassam, voltam a colocar-se à direita, mesmo que não estejam a ver qualquer veiculo.
Parámos para almocar num café/restaurante na autoestrada, é claro que os precos aqui são altos (muito parecidos com os nossos na autoestrada, mas eles ganham mais que nós, por isso só é comparavél com os nossos no preco final), onde comi uma excelente salsicha alemã, bolas! é mesmo boa 🙂
Continuámos em direccão à fronteira dinamarquesa, onde, depois de 800Km de viagem chegámos e claro, como sabia que os impostos automovél na Dinamarca era altissímos, decedi atestar de novo o depósito numa bomba alemã que depois vir ter que atestar com um valor ainda mais caro. Assim sendo atestei na Shell, pois pelo que vi são dos precos mais baixos (1.080?/l) e aproveitamos que tivemos de sair da AE para trocar algum dinheiro em Coroas Dinamarquesas, apenas para dizer que na Alemanha não pagämos qualquer portagem e têm um sinal horrivél! Proibido a ultrepasagem de Camiões, Autocarros e Ligeiros com atrelado… onde eu estava incluido, bolas! ultrepassar com medo da Policia, é penoso! além disso em mais de 70% das pontes estão instaladas cameras!
Assim que entrámos na Dinamarca vimos dois carros dos anos 60… este parque automovél de nada tem a ver com o alemão 🙂
A Dinamarca é constituida por várias ilhas, a única que não é ilha é a que faz fronteira com a Alemanha, chamada de JUTLAND (íutlande), e por isso há que passar por pontes, e uma delas, que é de certeza maior que a nossa Vasco da Gama, paga-se portagem… 195 Dkk. (25 ?) – ainda dizemos que a nossa é cara!!!
Depois de ter metido as coordenadas de uma colega Online (via CouchSurfing) depressa chegámos a casa dela… desaponto-me um pouco a hospitalidade, mas sempre é melhor que dormir na carrinha com este frio todo 🙂

Hoje vamos comecar à procura de habitacão, de nos registar na policia local, e de comprar um cartão telefónico dinamarques, afim de podermos ser contactados para intervistas de trabalho… fiquem atentos 😉

(apenas para vos dizer que este Blog foi escrito com um teclado dinamarquês e o qual não tem o “c” cedilhado) 😦

05. a viagem (bélgica e holanda)

Na Bélgica apenas vimos casas ao longe pois a auto-estrada que segue para Antuérpia (Awerpen), fica longe das cidades, e tudo o que vimos foram quintas com cavalos… Eu estava convencido que os belgas falavam francês, mas estava redondamente enganado, mais parece-se com alemão que francês… Em apenas alguns minutos estávamos a entrar na Holanda e nem reparei pois ao contrário de todas as fronteiras por onde passamos não havia sequer uma tabuleta a indicar-nos que estávamos noutro pais, apenas uma placa com as estrelas comunitárias a dizer que a Holanda (The Netherland – Pais Baixo), estava a 1km.

Pais Baixo… e é mesmo verdade, não existe um monte, uma serra, um altinho sequer, apenas se sobe para passar um canal pela ponte, e tal como o aeroporto francês aqui também se usa passar por baixo do rio em vez de por cima.

Todo o mundo tem e anda de bicicleta, existem ruas, espaços e vias apenas para as bicicletas, em todos os lugares existe um parque para bicicletas e são maiores junto ás estações de metro, tal como nós temos para os carros (e tão poucos a usam). As casas aqui são imensamente esqusitas devido ao facto de as janelas serem enormes e não serem cobertas com algo, nem uma cortinazinha sequer, só alguns usam a persiana. Vê-se tudo lá para dentro, não creio que consegui-se estar assim tão exposto tão facilmente. Nota-se a diferença de mentalidades, são mais pelos outros, ninguém rouba a bicicleta de ninguém mesmo estando esta sem cadeado, a estrada por onde chegámos a Roterdão (Rotterdam) tinha 4 vias e as 3 mais à direita estavam cheias de trânsito, a 4a faixa era usada de vez em quando por ou outro automóvel, foi engraçado ver a estrada a ser usada como mandam as regras, ‘o mais à direita possível’ e não como nós costumamos usar. Todos falam inglês (sorte a minha), a TV passa filmes legendados, os preços são muito mais baratos que os nossos, desde a comida até à informática, apenas os telemóveis são parecidos nos preços.

Até aqui não vi qualquer floco de neve, apesar de estar frio, existem muitos espaços verdes com muitos lagos, patos, aves, e alguns lagos têm uma parte coberta de gelo, é muito engraçado lançar uma pedra ou um pau e ele não afundar, dá mesmo vontade de tentar chegar à outra margem sem nos molhar.

[em cima: o lago semi-congelado que tinhamos
mesmo em frente à casa onde ficámos]

Pelo que me contaram, a policia (politie) pode entrar em casa sem consentimento de ninguém, basta para isso ter suspeitas de ilegalidades, se quisermos ter cão temos de adquirir uma licença e pagar uma taxa (com o dinheiro da taxa devem de pagar a alguém para limpar o que os animais sujam nos jardins públicos, is contrariamente ao nosso pais aqui não se tem de apanhar nada).

Descobrimos um cybercafé ao qual pagamos 1 euro por 60 minutos de navegação onde nos conectámos ao site CouchSurfing.com e voltámos a procurar por alguém que nos podesse dar a mais pequena ajuda em encontrar um apartamento em Copenhaga, e lá encontrámos uma alma caridosa que nos vai receber na 2a feira e ficaremos com ela até 5a onde até lá e com a sua ajuda tentaremos encontrar algo mais estável. Aproveitei também a oportunidade de refilar com a Vodafone PT pois fiquei muito descontente com o serviço por eles prestado em relação à activação do serviço Travel e por conseguinte ao valor cobrado pelo simples telefonema para a linha de apoio ao cliente (3:07 = mais de 5 euros).

04. a viagem (espanha e frança)

Antes de percorrer a Europa, toda gente me dizia, tem cuidado com a neve, já compraste as correntes de neve para o carro, vais apanhar muito mau tempo, é melhor que fiques por cá e vais depois no verão… Mas mesmo com todos a darem a sua ideia de viagem nós decidimos ir assim mesmo, carro cheio, atrelado cheio e muitos sonhos por concretizar.

Mesmo antes da fronteira Espanhola, parei e liguei para a companhia de seguros afim de integrar o atrelado na apólice pois a viagem podia-nos dar um pouco de coisas más (com tudo o que ouvimos… havia de esperar o pior). Então, depois de estar tudo direitinho lá começamos a grande viagem com um excelente tempo e temperaturas no exterior do carro de 1°C a -1°C, exterior pois lá dentro estava quentinho.

Fomos por Valladolid onde por não mais de 10 segundos vimos nevar, mas rapidamente parou e o entusiasmo de ver nevar pela primeira vez desvaneceu-se. Continuámos a caminho do país basco, onde surgiu chuva intensa, mas apenas por alguns minutos, não mais de 20 minutos, durante a passagem por tão montanhosa parte do pais sintonizámos uma estação basca… Credo! como se pode falar de maneira tão distinta dentro do mesmo pais? Não posso igualar o nosso Mirandês pois o pais basco não é apenas uma cidadezita, é enorme e com muitas cidades. A língua (euskadi) é terrível, não se semelha a nada e lembrámo-nos logo em como seria na Dinamarca. Depois de entrar em França a chuva veio-nos fazer de novo uma visita, mas desta vez mais miudinha e também por pouco tempo. O GPS era fantástico, só me enganei uma vez porque segui o que estava na placa em vez da indicação do GPS. Fiz metade da França de madrugada, fiz porque ela passou a viagem a dormir, segui por uma estrada que em cerca de 150km não vi carro algum na mesma via que eu, já pensava que estava perdido, mas o GPS lá dizia que estava na estrada certa… eram já 6 da manhã e por muito que quisesse chegar a Paris não consegui, conduzia à cerca de 18 horas seguidas, sabia que se dormisse antes de passar Paris ia apanhar todo o trânsito da cidade e seria difícil passar pela capital francesa. Parei numa estação de serviço e dormi durante 2 horas e meia. Custou-me imenso acordar, mas depois de acordado nada me fez adormecer pois vi Camiões limpa-neves pela primeira vez (são enormes!) e estava a colocar sal na estrada. As temperaturas não desciam dos -1°C num máximo de 5°C e não havia maneira de eu ver neve.

[em cima: o trânsito em Paris]

Ao chegar a Paris, o que achava que podia acontecer aconteceu, carros mais carros e ainda mais um pouco de carros! Estávamos no trânsito de quem quer entrar na grande cidade, a vontade de ver a famosa torre e o arco do Triunfo desapareceu completamente, dissemos que depois viríamos um fim de semana para ver toda a cidade. Depois de hora e meia no trânsito (por muito que dissesse ao GPS que queria evitar a estrada à frente e ele calculava-me novamente a melhor rota, essa estava cheia de trânsito novamente), chegámos então ao aeroporto Charles de Goule, e o aeroporto é fantástico, cheio de aviões enormes e tudo muito bem arranjado e conservado, passámos mesmo por baixo das pistas do aeroporto, pois a auto estrada para Lille passa por baixo em vez de contornar o aeroporto! Foi muito giro.

[em cima: a passagem por baixo das pistas do aeroporto da capital francesa]

Uma coisa que reparei, pois sou rapaz é que só em Paris contei mais de 60 veículos Renault Espace e Scenic (modelos novos) e só vi um único Fiat, o punto (modelo antigo), Renault e Pegeout são às centenas…..

[em cima: a única foto que consegui apanhar do TGV
e mesmo assim a fugir pelas ervas…]

Vi por 3 vezes o TGV e tentei tirar-lhe uma foto, mas o tempo de ligar e segurar a máquina digital era demasiado grande para conseguir uma boa foto… tudo o que consegui foi tirar foto às ervas, pois o comboio já tinha desaparecido (não que eu demorasse uma eternidade a ligar a máquina e a segurar mas um comboio a 270km/h não é fácil de apanhar).

Depois de várias centenas de quilómetros lá entrámos na Bélgica…

03. a partida

Casado e com uma ideia fixa, chegou o momento de colocar tudo em movimento e dar asas a todos os planos que tínhamos traçado.

Depois de escolhermos o que podíamos (leia-se queríamos) levar, de empacotarmos tudo, descobri que por muito grande que o meu carro fosse, não dava para levar nem um terço do que tínhamos escolhido… foi então que decidi fazer uma visita a um concessionário que tinha um atrelado de carga para venda o qual adquiri prontamente. No fim de termos enchido o atrelado e o carro, nos despedirmos de todos que nos eram mais queridos, partimos em direcção a Viseu, onde tenho família e como iríamos pela fronteira de Vilar Formoso, decidimos pernoitar em casa deles, dando assim também nos despedirmos deles.

[em cima: o nosso meio de viagem com todos os nossos
pertences que conseguimos enfiar na carrinha e no atrelado]

Dia 22 de Fevereiro de 2006 será a data que vamos recordar pois foi nesse dia que iniciámos a nossa nova vida, apesar de ter sido no dia seguinte que passámos a fronteira para não voltar a não ser de férias.

A próxima paragem seria Roterdão, na Holanda.

02. a companhia

Em todos estes anos, sempre pensei em ter filhos, ser pai, ensinar-lhes tudo o que sei, em fazer o melhor que sei e mesmo o que não sei. Mas para isso seria necessário uma companheira, e tendo o feitio que tenho, as esperanças não eram muitas… Depois de várias aventuras de adolescente, de ter estado a 2 meses de me casar e já com casa comprada à mais de 1 ano, nunca conheci ninguém que podesse sequer imaginar em passar a minha vida com. Conheci pessoas completamente longe do que sempre sonhei como ‘mulher’, outras interessantes, mas o meu preconceito era maior e desisti de alguns sonhos, o que vale é que posso considerar uma dessas ‘mulheres’ como a minha melhor amiga e sinto-me privilegiado em a ter como amiga.

Num dia igual a tantos outros encontrei num café simpático uma rapariga simpática e extremamente bonita. Fui uma segunda vez ao dito café para tentar dar-me a conhecer mas não tive sequer coragem de abrir a boca… Então passados alguns dias e já com as esperanças de a poder conhecer melhor terem ido por água abaixo, fui chamado para reparar um computador, e não é que ela também trabalhava lá! Era muita sorte junta, mas não deixei a oportunidade fugir e fiz o que soube para me aproximar, e no final até a convidei para um almoço a dois, o qual levei um redondo ‘não creio que seja uma boa ideia’! Bolas, fiquei um pouco em baixo, mas disse para mim: tentei o que podia, não vou ficar chateado por isso, e continuei da mesma maneira. Acabei o serviço que tinha ido fazer e fui-me embora. No caminho para casa recebo uma chamada: “mudei de ideias, se quiseres ainda ir almoçar…”

Há quem tenha sorte, e até muita sorte, mas nesse dia, bati todos eles aos pontos 🙂
Levei-a a almoçar e não posso dizer que estive muito bem, mas a verdade é que depois de a levar a casa, ela não se importou de sair uma vez mais…
Dali até começar-mos a namorar foi um tiro. Ela era tudo o que sempre quiz, brincalhona, bonita, adorável, compreensiva e além de tudo, amiga.
Depois de falarmos e eu descobrir que a vontade de estar em Portugal era tanta como a minha, expliquei-lhe a minha ideia a qual concordou prontamente. E foi então que a ideia de tentar uma melhor vida fora de Portugal passou de ideia a realidade.

Antes de partimos e por gostarmos tanto da companhia um do outro, decidimos dar o nó, apenas através do registo civil e que apenas contou com as testemunhas e os país dela. Foi engraçado e até hoje, orgulho-me do momento.

01. a ideia

Depois de vários anos em Portugal, a descobrir o que temos de melhor no nosso cantinho, de ver o nosso canto a ir de mal a pior, de tentar encontrar motivos de alegria e de paixão neste pais e não encontrar o mínimo de interesse em continuar nesta mesma vida, decidi em tentar a minha sorte no estrangeiro. Em tantos relatos conhecidos com bons e maus finais, peguei no mapa mundo e apontei vários paises dos quais pensei em que poderiam ser a minha nova morada… Austrália, EUA, Canada, mas todos este não me deixariam levar os meus pertences, os quais levei uma vida a juntar, e é necessário vários testes para poder ter visto de residência. Foi então que me lembrei, e que tal um pais da Comunidade Europeia? Não me preocupo com exames, nem ilegalidades e posso sempre levar os meus pertences comigo… excelente ideia!

E então procurei… Espanha (odeio as pessoas, sao falsas!), França (são muito nacionalistas e com as notícias de desrespeito e vandalismo não era uma boa ideia), Inglaterra (bolas, vão todos para lá… nem pensar), depois pensei, mas na Europa quem e que temos como os melhores? os mais ‘longe da confusão’?… os Escandinavos…! e da Escandinávia qual o pais mais ‘quentinho’?… a Dinamarca!

Foi então que pesquisei este pais com maior detalhe, a vida social e serviços ao cidadão, os impostos, a língua, a maneira de pensar, tudo o que poderia imaginar. Descobri que os impostos são altíssimos (só o iva é de 25%), mais de 40% do salário mensal vai para o estado, a língua (o Dinamarquês) não se parece com nada conhecido ate então… mas têm um excelente sistema social, por exemplo, dão muito importância à educação e assim sendo a escola é gratuita juntamente com todos os livros escolares até ao 12° ano de escolaridade, para o combate à obesidade é proibido passar na TV anúncios de comida para crianças. A Lego, a Bang & Olufsen, a Bodum entre outras são todas marcas mundialmente conhecidas pela sua excelência e design. Foi então que decidi, não vai ser fácil mas…

…destino Dinamarca!