Procura de emprego – Como ser “diferente”


Uma coisa é certa, se sairmos de Portugal e trouxermos a mentalidade Portuguesa connosco, não conseguiremos tão facilmente fazer e ter o que queremos, não será fácil de atingir os nossos objectivos e nunca iremos compreender o porquê da nossa situação.

Quando se deixa família, amigos, locais que nos “falam” e que por muitas vezes nos dá a nostalgia e lembramo-nos, ora do primeiro beijo, ora da compnhia com que estavamos, e deixamos isto tudo para trás, não podemos querer “mudar” sem primeiro mudar nós próprios! Este é um passo que temos de fazer, custe o que custar, pessoalmente, levei um pouco mais de 1 ano a mudar a “minha mentalidade”, levei um pouco mais de 1 ano a ser menos “Português” e mais “Dinamarquês”, pois foram 28 anos em Portugal, 28 anos a fazer o que todos fazem, e depois de qualquer um viver mais de 6 meses fora do país de origem é que se dá conta que aquilo que sabiamos que era o mais correcto, é simplesmente o menos correcto… e isso custa a “assumir” e a “mudar”…

Assim sendo e porque se virmos bem as coisas, estamos num país estrangeiro, e de certo que (e usando apenas o tópico deste artigo) ao procurar um emprego, eles dêem maior preferência aos de cá que aos estrangeiros – felizmente neste país nem tanto, o que geralmente eles querem é a melhor pessoa para o posto em causa e não ligam a cor da pele, religião ou nacionalidade – temos de nos fazer sobressair um pouco dos demais e isso faz-se em 3 vertentes.

A carta de apresentação: Esta é a primeira coisa que “eles” lêem, e tem de certo modo de cativar quem lê, tem de lhes mostrar que o vosso resumé é digno de ter em atenção.

O resumé (ou CV): Temos de mostrar aqui o que falemos como pessoa e expor toda a nossa experiência, pois neste particular país, eles preferem experiência aos estudos (olhem eu… que só tenho o 12º ano e nunca tive um curso de computadores ou de software na minha vida!), pelo que se já fizeram muita coisa, mostrem! se não têm experiência em trabalho, mostrem os trabalhos realizados na escola e nos cursos que fizeram… em suma, mostrem a vossa experiência, seja no que for!

O falar e as oportunidades: Nesta parte estão por conta própria, mas posso-vos deixar alguns “truques”.


Já vos falei aqui em como preparar a vossa carta de apresentação e como constituir o vosso resumé, pelo que muito mais não consigo dizer, mas o modo de falarmos e de não nos deixarmos levar por simples barreiras, isso consigo dizer muito mais…

Sempre que alguém diz-nos que NÃO temos (tenho de generalizar) o habito de nos deixar ir a baixo, de nos sentirmos menosprezados e começa-nos a faltar as forças para continuar, isso não podem deixar que aconteça nunca! O Não é saudável, é o que nos deve fazer ter mais força e não o contrário, é com o Não que somos “diferentes” pois temos de o ver como um “amigo” e não outra coisa qualquer:

– Quando recebem um Não de uma proposta de emprego, nunca desmoralizem, apenas digam simplesmente “parvos, nem sabem o que perdem!” e enviem mais 2 respostas a um anúncio por cada Não que recebem!
–  Quando não entendem o Não, reenviem um mail a perguntar o porquê, pois é aqui que fazem a diferença, e acabam por entender que 98% das vezes nem são vocês mas algo que não conseguem mesmo fazer, como por exemplo, ter de falar e escrever muito bem o idioma nacional… e com isto não nos podemos desmoralizar pois é algo que de momento nada possamos fazer.
– Quando acham que eles estão errados e vos disseram Não, reenviem um mail a dizer que eles não estão certos, que sóis uma pessoa fundamental para o posto em causa… eu já fiz isso por 2 vezes neste país (em portugal é impensável fazer tal coisa, mas como serve este artigo… temos de pensar diferentemente), a 1ª acabou por resultar num contracto assinado, a outra, como vos disse no artigo anterior a este, se o levasse para a frente, de certo que aconteceria a mesma coisa ou muitíssimo perto chegaria.

Afinal, como vêm, até é positivo receber Não! Estes são os meus Não’s:

2012-02-25_1313

Deixem-me então falar sobre os tais 2 casos que depois de receber um Não, e achando eu que ate gostaria mesmo da posição (pois há sempre aqueles empregos que mandamos uma aplicação e esperamos mesmo de receber um não) lhes disse “Espero então que escolham uma pessoa tão boa como eu”.

Podem muitos vós achar um pouco, ou mesmo muito arrogante, mas digo-vos que isso sou eu, e conheço algumas pessoas assim (conhecem o José Mourinho?), se não somos nós a acreditar com convicção que somos bons em algo, como conseguimos transmitir o mesmo aos outros?

E a arrogância no momento certo sempre ganhou pontos! E assim no primeiro caso para a empresa onde estou até ao final desde mês enviem um email a dizer exactamente isso:

“I understand the fact and I just hope that you can find someone as good as I am regarding this possition.”

e 20 minutos depois recebo um email a pedir para me dirigir ao escritório afim de assinar o contracto de trabalho.

Esta semana aconteceu o mesmo, mas 3 anos depois, disse o mesmo por outras palavras (há 1001 maneiras de dizer o mesmo, a idade e a experiência ensina-nos a dizer o mesmo de uma forma menos brusca).

Recebi então esta resposta assim que enviei uma candidatura:

Hi Bruno,
Thanks for your application. We have already found a candidate for the position but I will keep you application in case we have a position open in the near future.

depois de receber este Não redondinho como muitos até entendei, “refilei” logo por terem escolhido outroe  não eu, esta é a minha resposta:

Hi Thomas,
I’m sorry I didn’t see it sooner, but everything you specified in the job advertisement is something that I’ve been doing for several years, where I created some applications from a simple idea into a full working business application where I had to find the best suitable workflow, create databases (transactional and non-trasactional – NoSQL), work with several API’s and SDK’s. All this for high performance applications that can reach 35 clicks per second…
If by any means you need such person, I would be kind to attend a meeting, with no strings attached.

Em apenas 8 minutos recebi:

Hi Bruno,
Thanks for your reply. Let me think about it – we are still considering having an architect employed in Denmark so there is a possibility but I am not sure it will be possible before late summer since we are currently starting up developers in Ukraine and our development budget has been dedicated to this for the moment.
However, it might be interesting to have a talk one day about possibilities. I am going on vacation from Wednesday next week and will be back on the 19th of March and I am not sure it can be before I am back.
Let me know what you think.

E isto, no meu ver, faz toda a diferença! Não só não me fui abaixo com um redondo Não, como refilei pelo facto de não me terem escolhido e perante tal facto mudei radicalmente as coisas a meu favor, onde mostrei que barreiras não me impedem de alcançar o que quero.

8 thoughts on “Procura de emprego – Como ser “diferente”

  1. Isso mesmo, rapaz! Não podemos nos deixar abaixar. Temos que acreditar nas nossas próprias capacidades. Aí na Dinamarca a construção civil está forte?
    Saudações

  2. Estou a pensar ir trabalhar para a construção civil. Já que por aqui em Portugal ninguém quer humanos com mais de 45 anos, achas possível a minha ideia, na Dinamarca?
    Beijos, abraços e carinhos 🙂

  3. Olá Bruno e família!

    eu sigo o vosso blogue pois é muito informativo.

    gostaria de perguntar se sabes quais as possibilidades de um recém-licenciado em Engenharia de Comunicações (domino redes+electrónica+programação) arranjar emprego na Dinamarca nomeadamente em Copenhaga?

    desejo tudo de bom para vocês.

    muito obrigado e um abraço de Braga

    1. Olá Jorge,

      Este é o melhor tópico para leres sobre o assunto:

      https://balexandre.wordpress.com/quero-ir-para-a-dinamarca-viver/

      É tudo uma questão de como fazes as coisas… se fazes tal e qual como fazes em Portugal, de certo que será bastante dificil encontrar algo, pois a mentalidade e o que procuram aqui num candidato é completamente diferente da “nossa” (felizmente para mim).

      Mas se estás disposto a mudar um pouco as coisas e consegues adaptar-te rapidamente a “eles”, eu sou programador, tenho apenas o 12º ano e não falo a lingua deles… em 20 dias encontrei emprego, como podes ler nos últimos 2 tópicos que escrevi.

  4. Olá Bruno… enviei uma mensagem, talvez já há cerca de 2 anos, porque estava a pensar mudar-me para a Dinamarca.. mas agora olhando para trás, ainda bem que não o fiz. O “pensar” aqui ainda era muito prematuro e incerto. Depois de tanto tempo, e de muita pesquisa, escolhi a Noruega como futuro país para viver. Fui lá nas férias para ver como eram as coisas, como tudo funcionava; comecei a ter aulas de norueguês; e depois de várias respostas a anúncios, finalmente consegui uma entrevista para o próximo mês. Hoje lembrei-me deste blog e de passar para ver as novidades. Espero que da próxima vez que passar por aqui, seja para dar novas da Noruega.

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